Artigo: Mortandade generalizada

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A terra vem sendo sangrada pelas mineradoras. Gigantes corporações com sede em outros cantos do planeta e autorizadas pelas autoridades federais. Terras ocupadas por indígenas são violadas e quilombolas expulsos de seus territórios para dar lugar a devastação ecológica impiedosa. Povos tradicionais são abandonados ao próprio destino. Na costa, o turismo paulatinamente é substituído por portos exportadores de minérios – poluidores, mecanizados e de elevada concentração financeira.

O litoral sul do Espírito Santo há anos é vitimado pela multinacional Samarco, a mesma que agrediu Mariana e provocou estragos inimagináveis no sudeste mineiro. A empresa que matou o rio Doce tem currículo e é velha conhecida em Anchieta.

Concessionária de porto naquela cidade, onde promove beneficiamento de minérios advindos da exploração no estado vizinho, provoca há anos danos diversos à sociedade local. Durante décadas tem gerado o pó preto que se espalha pelo ar, sujando a cidade, as construções, as pessoas, os animais e a flora, provocando com a inalação danos à saúde cujas consequências nocivas já foram comprovadas. Hoje, por conta da própria Samarco, dejetos enlameados chegaram à costa capixaba, transformando-a em palco de teatro tétrico de horror. Ninguém sabe o que fazer ou como fazer.

A poluição ambiental provocada pela exploração portuária, sem observação das regras de segurança, espantou os cardumes da costa, base da economia de centenas de pescadores artesanais. O porto de Ubu, na periferia de Anchieta, constantemente é dragado, comprometendo a exploração de pescado e provocando danos sociais e prejuízos financeiros aos pescadores artesanais daquele litoral.

Enfim, a Samarco, que produz o pó preto, que provoca a fuga de cardumes tradicionais da costa sul capixaba – livre, leve e solta para agir sem fiscalização e rigor – escondeu as deficiências de suas barragens de dejetos, na crença que nada viesse a acontecer. Arriscou na ineficiência dos que deveriam fiscalizar. E resultou a trágica mortandade generalizada, cujas consequências só o tempo dirá quais serão.

Por Roberto J. Pugliese
Advogado das Colônias de Pescadores do Espírito Santo

Jornalista e publicitária. Diretora Presidente dos jornais Hora Aghá e Correio Regional.

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